quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Raízes - Poema

Saga que cega o homem
Sem nome segue além
Seu destino a servidão
A dor no porão do negreiro
O nevoeiro deixou para trás
A mãe África... Continente generoso
Agora distante e doloroso
Horroroso opróbrio da escravidão
Açoites, argolas, gritos e dor
Dentes cerrados... Angola nunca mais
Cativo de sua terra natal
Nativo de Moçambique
Guerreiro do Congo e Bissau
Desembarcou assustado
Pescoço acorrentado
A escravidão agora é um novo inimigo
Que precisava ser derrotado
Mas apenas ser negro já era complicado
Ter na cor a raça
E por sua massa ficava logo marcado
Sendo vendido como produto em pleno mercado
Quem se negava ao trabalho escravo
Era pendurado no poste, castigo e açoite
Dia e noite até a morte
Pra vencer a senzala não bastou apenas ser forte
Tinha que ter no sangue o desejo de liberdade
E um grito surgiu nos ares
No quilombo dos Palmares
E em muitos outros altares
Nos pilares dos quilombos
Onde se abrigou a cultura
A estrutura de um sonho livre
Que nunca acabou,
As raízes fincadas em solo estrangeiro
Crescem fortes e guerreiros
Levando adiante a alegria
Que um dia foi um soluçar de dor.

Acontecimento.

Uma mulher branca, de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar
na classe econômica e viu que estava ao lado de um passageiro negro.

Visivelmente perturbada, chamou a comissária de bordo.

"Qual o problema, senhora"?, Pergunta uma comissária.

"Não está vendo? - respondeu a senhora

- “vocês me colocaram ao lado de um negro. Não posso ficar aqui.

Você precisa me dar outra cadeira".

"Por favor, acalme-se - disse a aeromoça -

"infelizmente, todos os lugares estão ocupados.

Porém, vou ver se ainda temos algum disponível".

A comissária se afasta e volta alguns minutos depois.

"Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre na classe econômica.
Falei com o comandante e ele confirmou que não temos mais nenhum lugar nem mesmo na classe econômica.

Temos apenas um lugar na primeira classe". E antes que a mulher fizesse algum comentário, a comissária continua:

"Veja, é incomum que a nossa companhia permita à um passageiro da classe
econômica se assentar na primeira classe. Porém, tendo em vista as
circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa desagradável".

E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu:

Portanto, senhor, caso queira, por favor, pegue a sua bagagem de mão, pois reservamos para o senhor um lugar na primeira classe...

" E todos os passageiros próximos, que, estupefatos, assistiam à cena, começaram a aplaudir, alguns de pé.


A DISCRIMINAÇÃO NO INTERIOR DA ESCOLA

Se as próprias instâncias governamentais se preocupam atualmente em trabalhar, no interior dos currículos, temas voltados para a superação da discriminação e da exclusão social étnico-raciais, deve-se considerar que estas mesmas instâncias reconhecem a existência da discriminação.

Portanto, a resposta para a problemática das relações raciais no espaço escolar poderia ser buscada, especialmente, no interior mesmo das escolas. Porém, poucos foram os estudos que se propuseram a observar interações e relações entre professor-aluno e aluno-aluno, no interior da escola. Menos ainda, a relação alunos-agentes educativos (diretores, coordenadores, inspetores de aluno, equipe operacional), que muitas vezes é marcada por autoritarismos e visões estereotipadas, que poderiam ser exemplificadas nas falas: “O pessoal da favela só vem na escola para comer”; ou “Não adianta chamar o pai, porque ele só sabe beber!”; ou ainda, “Os alunos negros são os que mais dão trabalho no recreio. Adoram uma bagunça!”

Em um primeiro momento, os estudos voltaram-se para a estereotipia em livros didáticos e paradidáticos, apontadas como responsáveis pelas imagens negativas com as quais alunos negros tinham de conviver e que, portanto, era necessário reconsiderar o livro didático na diversidade racial de seu público-alvo, formulando novas imagens, mais positivas e igualitárias. O peso conferido às imagens de negros em livros didáticos e paradidáticos foi efetivamente tratado como um “caso de polícia”, pelo menos em uma situação, cujos traços emblemáticos ilustram com fidelidade a dimensão e a gravidade deste problema na sociedade brasileira.

(UNESCO)

Troféu Raça Negra 2009 brilha em homenagem a Michael Jackson

A Sala São Paulo foi palco no último domingo, dia 15 de novembro, de mais uma edição do Troféu Raça Negra. A noite, marcada pelo glamour, foi de celebração e emoção. Logo no início, após a execução do Hino Nacional pelo coral Zumbi dos Palmares, a cantora Vanessa Jackson abriu a noite interpretando várias canções do rei do pop Michael Jackson, homenageado de 2009.

O primeiro casal de mestre de cerimônia, o ex-atleta Robson Caetano, e a ex- Miss Brasil Deise Nunes, chamaram ao palco o presidente da Afrobras e reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, José Vicente. Nesse primeiro momento, a cerimônia do Troféu foi o localescolhido para a assinatura de acordos de parceria de diversas instituições com a Faculdade Zumbi dos Palmares. José Serra, governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, Secretário de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, Laura Laganá, diretora superintendente do Centro Paula Sousa, Regina Pitoschia, Gerente de Comunicação da rede Carrefour, e Maurício Correali, da assessoria da Secretaria Nacional de Justiça assinaram convênios a fim inserir jovens negros no mercado de trabalho. “Vamos trabalhar juntos para abrir oportunidades de futuro para esses jovens”, disse Serra.

Em seguida foram entregues os troféus para as personalidades do ano na categoria institucional. O primeiro a receber foi o governador José Serra. Logo depois, o empresário Lázaro Brandão, presidente do Conselho de Administração do Banco Bradesco. “Esse troféu é um símbolo da vocação brasileira para se destacar entre as nações como paradigma de país multicultural. A responsabilidade social está disseminada em nosso quadro de colaboradores. O prêmio que recebemos hoje nos distingue e sensibiliza”, disse.
Os ministros Orlando Silva (Esporte), Juca Ferreira (Cultura), Edson Santos (Igualdade Racial), e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, também foram premiados.

O segundo casal de mestre de cerimônia Isabel Fillardis e André Marinho anunciou os vencedores nas categorias da votação popular. Depoimentos emocionados marcaram as entregas. O apresentador de TV Alexandre Henderson foi um dos mais emocionados.

A cantora Elza Soares, premiada pelo conjunto da obra, também protagonizou um grande momento da noite ao subir ao palco em cadeira de rodas devido a um problema na coluna. As cantoras Leny Andrade e Zezé Motta, os músicos Osvaldinho da Cuíca e Mestre Tadeu, da Escola de Samba Vai-Vai e o contador de histórias Roberto Carlos também foram homenageados pelo conjunto da obra.

As jornalistas e apresentadoras Gloria Maria e Ana Paula Padrão foram premiadas pelo trabalho que vêm desenvolvendo no jornalismo. Única jornalista que entrevistou Michael Jackson, Gloria Maria relatou os momentos em que passou ao lado do rei do pop. “Ele é merecedor de todas as homenagens que a gente puder prestar. A gente deve parar e pedir desculpas porque todos nós erramos”, disse.

Paulinho da Viola e Martinho da Vila também foram outros dos homenageados. Ao agradecer o prêmio, Paulinho da Viola relembrou a história das escolas de samba e seu significado. “Foi a história do povo negro que começou aquilo”, disse.

Outro homenageado foi o cantor Seu Jorge, que recebeu o prêmio como Artista do Ano. “A gente investiu muito nesse país, agora parece que vai dar lucro e a gente que participar disso”, brincou no final da cerimônia.

A noite terminou com uma apresentação de Rodrigo Teaser, cover oficial do Michael Jackson que apresentou “Thriller”, “Beat it” e “Billie Jean”. Em seguida a bateria da escola de samba Vai-Vai e seu presidente Tobias da Vai-Vai cantaram “Kizomba, Festa da Raça”.

Além dos homenageados da noite, estiveram presentes entre outros, os atores Sheron Menezes, Luciano Quirino, Douglas Silva, Jorge Sá, Milton Gonçalves, Maurício Gonçalves, Lica Oliveira, Janaína Lince, Sidney Santiago e Valquíria Ribeiro, os cantores, Alcione, Altair Veloso e Luiz Melodia, entre outros.

Veja a lista de premiados

Votação popular
Melhor ator: Rafael Zulu
Melhor atriz: Juliana Alves
Melhor cantora: Vanessa da Mata
Melhor cantor: Alexandre Pires
Jornalismo televisivo: Joyce Ribeiro
Apresentador de TV: Alexandre Henderson
Esportista masculino: Adriano
Esportista feminino: Marta
Melhor grupo de pagode: Exaltasamba
Rap: Marcelo D2

Votação dos alunos da Faculdade Zumbi dos Palmares
Professor Mauri Aparecido de Oliveira

Conjunto da obra
Elza Soares
Leny Andrade
Zezé Motta
Osvaldinho da Cuíca
Mestre Tadeu
Paulinho da Viola
Martinho da Vila
Jornalista Gloria Maria
Jornalista Ana Paula Padrão
Roberto Carlos – Contador de histórias

Artista do ano
Seu Jorge